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Não é à toa que a doença mental ocupou um lugar de destaque na tela das TVs. O problema é muito comum entre as famílias brasileiras. De acordo com pesquisa da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, cerca de 17 milhões de brasileiros possuem transtorno mental. Mas os dados e os questionamentos levantados pela mídia trazem um alerta para aqueles que convivem com uma pessoa que possui a enfermidade: qual o tratamento mais adequado? Como cuidar de um paciente com transtorno mental?
Uma novela global, transmitida em horário nobre, explorou o tema sob a ótica do paciente e seus familiares. Milhares de brasileiros acompanharam, até o último mês de setembro, o conflito do personagem Tarso, interpretado por Bruno Gagliasso, e de seus familiares, como sua mãe, Melissa, na interpretação de Cristiane Torloni, que não admitia a doença do filho e nem permitia que ele fizesse o tratamento indicado pelo psiquiatra.
O tabu com que a percepção da doença e o internamento foram tratados também traz à tona aspectos importantes para o trato com o paciente. O cotidiano médico revela que ainda há muito preconceito e desinformação. Segundo o médico psiquiatra e diretor clínico do Espaço Holos, Luiz Fernando Pedroso, é muito comum ouvir dos parentes e amigos que o ato violento foi repentino, que o comportamento da pessoa sempre foi “normal”. “Em dez minutos de conversa, nós costumamos desconstruir isso, mostrando as inadequações comportamentais que o doente já vinha mostrando desde criancinha”, aponta.
Outra questão diz respeito à herança genética, visto que a maioria das doenças carrega um forte componente hereditário. Então, a investigação familiar torna-se uma etapa fundamental. A negação do problema pela família é um empecilho no tratamento, porque a doença costuma mobilizar angústias e despertar conflitos nas pessoas próximas, conforme explica o psiquiatra.
Tratamento ideal – Pedroso esclarece que o tratamento, muitas vezes, inclui a internação psiquiátrica, cujo objetivo é proteger o doente de si mesmo, de sua vida, de suas relações familiares, de seu patrimônio, de sua imagem pública, de sua reputação e, em alguns casos, também da sociedade.
A internação é indicada para enfermidades, como as doenças afetivas, a exemplo das depressões – bipolares ou não –, as crises de ansiedade e as dependências químicas, que, geralmente, são associadas às anteriores. De acordo com Luiz Pedroso, ela é um instrumento terapêutico para o manejo de comportamentos patológicos em que se trabalha essencialmente com colocação de limites.
Ainda há casos em que é necessária a internação involuntária, realizada quando o paciente está pondo sua vida em risco e/ou a de terceiros. Ou quando há risco de agressão à ordem pública de exposição social ou inadequação sociofamiliar patológica. Nessas condições, a internação é feita mesmo sem o consentimento ou aceitação do paciente.
Para que o internamento tenha êxito, é necessário aliar a boa estrutura física do local a um corpo médico qualificado e um tratamento com recursos, como as psicoterapias e as terapias farmacológicas e de eletroestimulação. Esta política é adotada pelo Espaço Holos, um centro de referência em Salvador fundado pelo médico psiquiatra Luiz Fernando Pedroso.
Localizado na Rua Guillard Muniz, no Itaigara, o Espaço Holos é um centro especializado em saúde mental que possui uma equipe multidisciplinar de profissionais, como psiquiatras, psicólogos, enfermeiros, farmacêuticos, terapeutas ocupacionais, músicoterapeutas, arte-terapeutas, fisioterapeutas e educador físico, entre outros. O centro oferece, inclusive, serviços de emergência 24 horas, que incluem o resgate de pacientes e o internamento. Informações pelos telefones 3451-3611 / 3082-3611.
Carla Ferreira
Jornalista DRT/BA – 1.894
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