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O câncer de próstata compõe o grupo das neoplasias mais frequentes na espécie humana
Em 2005, foram diagnosticados 543 mil novos casos de câncer de próstata em todo o mundo. Nos Estados Unidos, o risco de desenvolvimento do câncer de próstata é de 16% se da raça branca e de 20% se da raça negra. Nestes mesmos grupos, o risco de morrer é 2,8% para a raça branca e de 4,7% para a raça negra. O câncer de próstata acomete, principalmente, homens da sexta década de vida, com média detectada no Estado de São Paulo, no ano de 2005, de 67,9 anos.
O principal fator de risco para o aparecimento do câncer de próstata é o envelhecimento. Cerca de 30% dos homens aos 50 anos pode ser diagnosticado com câncer de próstata. Conforme o homem envelhece, esta incidência aumenta, visto que aos 80 anos esta chance progride para 70%, e se todos os homens alcançassem os 100 anos de idade todos seriam acometidos pelo câncer de próstata.
Outro importantíssimo fator de risco é a história familiar de parentes do primeiro grau (pai e/ou irmão); um parente aumenta o risco de apresentar câncer de próstata em três a quatro vezes. Se tiver dois parentes acometidos, este risco é 9,5 vezes maior; o risco é amplificado se a idade do aparecimento for menor ou igual a 55 anos. Fatores raciais influenciam na incidência do câncer de próstata, haja vista que a incidência em negros é relativamente maior que em brancos, e esta incidência é menor em índios e asiáticos.
Em homens com dieta predominante de gorduras saturadas, como leite, cálcio e carne vermelha, verifica-se uma maior incidência do câncer de próstata, ao contrário de dietas ricas em fibras inabsolvíveis, gorduras insaturadas – como o Ômega-3 e chás –, como o chá-verde. Alguns estudos também demonstram que castanhas podem exercer algum fator protetor. A obesidade e a deficiência nutricional de vitamina D demonstram o aparecimento de neoplasias com maior agressividade.
Atualmente, os homens com história familiar (familiares de primeiro grau) de câncer de próstata e negros devem iniciar o acompanhamento investigativo aos 40 anos, e aqueles não incluídos neste grupo devem iniciar o acompanhamento dos 45 aos 50 anos e manter o acompanhamento anual.
Aproximadamente, 80% dos pacientes diagnosticados são assintomáticos sem qualquer queixa. Pacientes com doenças mais avançadas e com extensão locorregional (15% a 20%) podem apresentar sintomas urológicos, como sintomas obstrutivos (dificuldade para iniciar a micção, urina que sai e vai até o final, sensação que ainda resta urina na bexiga após terminar de urinar, após urinar pinga mais que o normal) e dor abdominal baixa. Em fases mais avançadas, apresenta sangramento na urina e na ejaculação e tem até dificuldade para evacuar.
No acompanhamento para investigação do câncer de próstata, realizam-se inicialmente três exames básicos, que são toque retal, PSA e ultrassonografia da próstata. O toque retal ou exame digital da próstata é um exame físico específico e muito importante, principalmente porque poderá diagnosticar um câncer de próstata mesmo em pacientes com PSA dentro dos padrões considerados como normal. O toque retal e o PSA, isoladamente, possuem uma alta taxa de falha em detectar o câncer precocemente, mas quando juntos têm a chance de acerto neste diagnóstico de 80% a 95%. Portanto, o toque retal normal não exclui a presença de uma neoplasia. O toque retal também é muito importante para avaliar as dimensões da próstata e a extensão e localização do tumor em casos que já apresente doenças.
O Antígeno Prostático Específico (PSA) é uma glicoproteína presente no sêmen com a função de evitar a sua coagulação. Apesar do que diz o nome, este marcador não se eleva somente no câncer de próstata, mais também na Hiperplasia Prostática Benigna (HPB), infecções do trato urinário, infartos prostáticos, uretrites e prostatites. O valor do PSA maior ou igual a 4,0ng/ml é indicativo da necessidade de biópsia de próstata; valores de PSA entre 4 a 10ng/ml têm a chance entre 30% a 45% de apresentar câncer de próstata, e acima de 10ng/ml a chance é maior que 65%. Entretanto, 22% a 27% dos pacientes com PSA entre valores de 2,5 a 4ng/ml podem ter câncer de próstata.
A ultrassonografia (USG) prostática pode ser realizada por via abdominal (suprapúbica) ou transretal. Por via abdominal, tem como principal função avaliar o volume prostático na avaliação de HPB. Por via transretal, tem melhor indicação para avaliação do câncer de próstata, porém 17% a 47% dos nódulos de próstata são positivos para câncer de próstata, e deve ser indicado caso o toque retal seja sugestivo ou para a realização de biópsia.
A realização da avaliação prostática preventiva anual fornece ao urologista informações extremamente importantes sobre a possibilidade e os riscos de o paciente apresentar câncer de próstata, e até mesmo prever se, futuramente, o paciente necessitará da realização de biópsias. O câncer prostático frequentemente tem o crescimento e a evolução lenta, pois quanto mais velho o paciente mais lenta é esta evolução. Portanto, o acompanhamento é capaz de determinar, na maioria dos pacientes, este diagnóstico em fase inicial. O câncer de próstata na fase inicial pode ser tratado basicamente de quatro formas: acompanhamento vigilante, prostatectomia radical, braquiterapia e radioterapia externa.
– Acompanhamento vigilante: pode ser utilizado em casos selecionados com pacientes idosos com expectativa de vida inferior a 10 anos e que apresentem comorbidades importantes com um tumor de baixa agressividade identificados em um estágio inicial;
– Prostatectomia radical: consiste na retirada cirúrgica completa da próstata e das vesículas seminais. É indicada principalmente em pacientes com expectativa de vida superior a 10 anos e em tumores totalmente confinados à próstata. Os pacientes indicados a este tratamento devem ser ausentes de riscos cirúrgicos significativos e que têm a preferência por esta opção terapêutica. As complicações mais importantes deste método são a incontinência urinária que ocorre em 10% dos pacientes (5% nos pacientes com menos de 50 anos e de 15% nos pacientes com mais de 70 anos) e a disfunção erétil, que ocorre em valores variados de 9% até 89% dos pacientes, sendo menos comum nos pacientes mais jovens e mais frequentes, conforme aumenta a idade dos pacientes submetidos a esta técnica terapêutica. A taxa de sobrevida, após a cirurgia, é de aproximadamente 97% em cinco anos, 85% em 10 anos e entre 66% a 85% após 15 anos do tratamento;
– Braquiterapia: consiste na inserção de sementes radioativas diretamente na próstata com o objetivo de não afetar suas estruturas adjacentes. É indicada em estágios iniciais com próstatas de pequenos volumes e com tumores pouco agressivos, assim como em pacientes com expectativa de vida superior a cinco anos. A braquiterapia fornece uma taxa de sobrevida livre de progressão da doença de 85% em cinco anos e de 80% em sete anos.
– Radioterapia: é a aplicação da radiação à próstata por uma fonte radioativa externa. É indicada principalmente em tumores localizados na prostatectomia radical, mas também em tumores mais avançados, sem contudo apresentar metástases. As indicações incluem a ausência de doenças inflamatórias intestinais e em pacientes que não desejem ser submetidos ao tratamento cirúrgico, apresenta índices de falha terapêutica de 30% a 40%, mas com técnicas mais modernas de radioterapia. A taxa de cura é de aproximadamente 85% em cinco anos para os grupos de baixo risco. As complicações estão ligadas à irradiação de tecidos adjacentes à próstata, que são sintomas irritativos urinários, dor anal e sangramento na urina.
Independentemente da técnica a ser adotada como tratamento, o importante é que todos os homens a partir de 40 ou 45 anos iniciem a investigação, pois um tumor com tão alta taxa de cura com o diagnóstico precoce ainda mata 14 mil homens anualmente no Brasil e 27 mil nos Estados Unidos, o que significa uma morte pelo câncer de próstata a cada 20 minutos.
Dr. Gilson Mendonça
Cremeb – 3.519
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