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Dr. Alberto Nogueira – CRM 9482
Especialista em Oncologia Clínica pela Sociedade Brasileira de Cancerologia, membro efetivo da Sociedade Brasileira e Americana de Oncologia Clínica, chefe do serviço de Oncologia Clínica do Hospital Aristides Maltez e oncologista clínico da IHOBA.
Revista CEPE-Magazine – O que é quimioterapia?
Dr. Alberto Nogueira – É uma das modalidades de tratar o câncer, onde é empregado o uso de medicamentos que podem ser administrados por via oral, intramuscular, endovenosa, tópica, regionais e intracavitária, com o objetivo de destruir as células cancerosas que estejam em proliferação.
Revista CEPE-Magazine – Todo paciente que faz quimioterapia perde o cabelo? Por quê?
Dr. Alberto Nogueira – Não, nem todos os pacientes que fazem quimioterapia perdem os pelos; este efeito colateral depende do medicamento utilizado. A causa pela qual determinados quimioterápicos podem perder pelos é porque as drogas disponíveis tanto agem nas células sadias como nas doentes. A única exigência destes medicamentos é que estas células estejam em crescimento, como ocorre com as células do cabelo e com as do câncer, apresentando uma relação direta de que quanto maior for a proliferação celular provavelmente maior será a ação do quimioterápico.
Revista CEPE-Magazine – Quais os efeitos colaterais?
Dr. Alberto Nogueira – A quimioterapia, como já foi dito, não é um tratamento único, pois envolve o uso de medicamentos chamados de quimioterápicos, sendo que, para cada medicamento deste utilizado, existe uma contraindicação específica, podendo variar desde a náusea, vômito, diarreia, queda de pelos e baixa de leucócitos, dentre outros efeitos colaterais. O estado geral do paciente também não é uma contraindicação absoluta, pois deve-se levar em consideração o risco benefício relacionando a resposta do tumor ao tratamento indicado, juntamente com a expectativa de vida do paciente no momento do diagnóstico.
Revista CEPE-Magazine – É verdade que a quimioterapia provoca medo entre as pessoas?
Dr. Alberto Nogueira – O medo que possa vir a provocar nas pessoas é, muitas vezes, originado por preconceito que foi nutrido pela desinformação, pois o tratamento quimioterápico empregado hoje já não é o mesmo de décadas passadas e nem poderia ser, pois no momento já se tem um melhor conhecimento da doença e, com isto, as terapêuticas são cada vez mais dirigidas ao seu alvo e, consequentemente, com menor toxicidade, ficando para o passado apenas o estigma das dificuldades de outrora.
Revista CEPE-Magazine – A quimioterapia é eficaz? Quais as vantagens e desvantagens desse tratamento?
Dr. Alberto Nogueira – Sim, desde que bem indicado como em qualquer tratamento. Quanto às vantagens, a quimioterapia continua sendo uma das modalidades terapêuticas disponíveis no momento, que proporciona aos pacientes reais possibilidades de cura que pode variar de acordo com a extensão da doença. Quanto às desvantagens, ainda é a toxicidade, minimizada nos últimos anos, ainda mais presente.
Revista CEPE-Magazine – Qual a percentagem de pacientes submetidos à quimioterapia que obtêm sucesso?
Dr. Alberto Nogueira – Para podermos falar sobre este assunto, primeiro devemos separar por patologia, lembrando que cada tumor responde de forma diferente ao tratamento. Como exemplo, pode ser citado o seminoma (câncer de testículo), onde as taxas de cura podem variar entre 70% a 90%, enquanto que em outra patologia os índices podem ser inferiores a 10%. Isto se deve ao fato de que o câncer não é uma doença única, pois ela muda de comportamento de acordo com o órgão que a originou e, muitas vezes, esta diferença está presente mesmo quando o tumor foi originado do mesmo tecido, consequentemente vindo a apresentar resposta diferente à terapêutica empregada com prognóstico diferente.
Revista CEPE-Magazine – Quais as indicações da quimioterapia?
Dr. Alberto Nogueira – A quimioterapia pode ser indicada:
Para redução do tumor, facilitando os procedimentos cirúrgicos, sendo chamada de neoadjuvante;
– Para tratar de possíveis células cancerosas que tenham se soltado antes ou durante o procedimento cirúrgico, sendo chamado de adjuvante;
– Para proporcionar alívio dos sintomas, sendo chamado de paliativo;
– Para proporcionar a cura, com o uso exclusivo do quimioterápico, sendo chamada de curativa.
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