O odor fétido proveniente da boca, mais conhecido como halitose, atinge um grande número de pessoas, podendo gerar situações desagradáveis e embaraçosas tanto para ele quanto para as pessoas com as quais convive, seja no trabalho, no ambiente familiar ou nos relacionamentos amorosos. Por vezes, o indivíduo se sente constrangido em perguntar a uma pessoa mais próxima sobre seu hálito, e mesmo os familiares ou cônjuge podem relutar em comentar o fato para não magoá-lo. Situações como estas podem ser evitadas se o indivíduo procurar atendimento médico, uma vez que a halitose possui causas específicas e controle bastante satisfatório.
O que pouca gente sabe é que, além de representar um problema social, a halitose pode ser uma manifestação de doença sistêmica grave. Como exemplo, indivíduos que apresentam um hálito dito cetônico podem ser diabéticos ou aqueles que apresentam hálito urêmico podem apresentar problemas renais, e assim por diante. Em diversas outras doenças sistêmicas graves poderemos encontrar um hálito característico, podendo ser este de grande importância no diagnóstico de determinadas doenças graves.
Independentemente da causa, o mecanismo de formação da halitose é baseado em dois eventos: decomposição de substâncias orgânicas e a volatilização de odores (evaporação de substâncias de odor fétido formadas). Dentre as causas, podemos citar problemas bucais, tais como má higiene oral, má conservação de próteses dentárias, cáries, problemas gengivais, infecções recorrentes de amígdalas e eliminação de caseum faríngeo, que corresponde a uma massa que frequentemente eliminamos pela boca, com um cheiro bastante desagradável, composta principal-mente por alimentos putrefeitos associados à descamação epitelial e bactérias da própria cavidade oral; problemas nasais como as rinossinusites, obstrução nasal crônica, pólipos nasais, adenoidites, dentre outros; e problemas da via digestiva, como diminuição do trânsito intestinal, alterações no esôfago e hemorragias digestivas.
Cabe aqui a ressalva de que problemas digestivos raramente provocam halitose ou ao contrário do que comumente se imagina, como fatores externos não alimentares, tais como tabaco, álcool e medicamentos; fatores ambientais, como ar seco que leva ao ressecamento da boca, situação esta mais comumente vivida no nosso dia a dia pelo uso excessivo do ar condicionado; e ingestão de determinados alimentos que produzem mudança do hálito, tais como cebola, alho, leite e derivados, ovos e café, dentre outros; e causas psíquicas, como depressão, estresse e neurose, onde o paciente não apresenta halitose, mais imagina que tem.
O diagnóstico envolve um criterioso exame otorrinolarin-gológico e, por vezes, uma avaliação com um cirurgião-dentista; a realização de testes como halimetria (medida do hálito), sialometria (medida do fluxo salivar) e bana (teste para identificação de bactérias produtoras de substâncias de odor fétido) também poderá ser realizada. O tratamento segue medidas específicas e gerais de acordo com a causa, tais como uma meticulosa higiene bucal com escovação dentária, uso de fio dental e escovação da língua com raspador apropriado para remoção da saburra (depósitos esbran-quiçados que recobrem a língua resultantes da decomposição de restos orgânicos por bactérias), aumento da ingesta de líquidos, períodos curtos de jejum, dieta com baixos índices de gordura e outras medidas que controlam de forma eficaz o problema.
Dr. Marco Antonio da Silva Félix CRM – 12718
Médico especialista em Otorrinolaringologia
Membro da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cervico-facial e cirurgião-dentista